Outubro se foi
E tu foste com ele.
Deixaste as sementes da aurora crepitando no ar, inexoravelmente,
Sem campos nem colinas para semear.
Abraçaste o caminho tácito da solidão, resignada e tristonha,
Mas negaste aos meus crepúsculos a glória dos teus delírios suspirados.
Outubro se foi
E com ele a cantilena morna e arlequinal do meu infinito.
Hão de chorar por ela os antiquários da Lua,
Os gatos abandonados e os cinamomos,
Eternamente mofados e belos,
Sem veredas de luz e de licores.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ausência Gabrielana
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos?
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas como a quis...
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro.
Sua voz.
Seu corpo claro.
Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos?
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas como a quis...
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro.
Sua voz.
Seu corpo claro.
Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Eternally Clown...(Vesti la Giubba-Ópera "Il Pagliacci", de Ruggero Leoncavallo
http://www.youtube.com/watch?v=Ky271W94VHA
Recitar,mentre preso dal delirio non so piu quel che dico e quel che faccio. Eppure è d'uopo. Sforzati! Va!Sei tu forse un uomo?Ah! ah! ah! ah! ah!Tu sei Pagliaccio.Vesti la giubba e la faccia infarina. La gente pagae rider vuole quà. E se Arlecchinot'invola Colombina, ridi Pagliaccioe ognun applaudirà.Tramuta in lazzilo spasmo ed il pianto,in una smorfia il singhiozzoe il dolor. Ah! Ridi Pagliaccio,sul tuo amore infranto.Ridi del duolche t'avvelena il cor!
Recitar,enquanto tomado pelo delírio não sei mais aquilo que digo e aquilo que faço. Todavia é necessário. Esforça-te! Vai!És tu talvez um homem?Ah! ah! ah! ah! ah!Tu és Palhaço.Veste o casaco e a cara enfarinha. O povo paga e quer rir aqui. E se Arlequim te rouba a Colombina, ria, Palhaço ,e todos aplaudirão.Transforma em piadas o espasmo e o choro,numa careta o soluço e a dor. Ah! Ria Palhaço,sobre o teu amor despedaçado!Ria da dor que te envenena o coração!
Recitar,mentre preso dal delirio non so piu quel che dico e quel che faccio. Eppure è d'uopo. Sforzati! Va!Sei tu forse un uomo?Ah! ah! ah! ah! ah!Tu sei Pagliaccio.Vesti la giubba e la faccia infarina. La gente pagae rider vuole quà. E se Arlecchinot'invola Colombina, ridi Pagliaccioe ognun applaudirà.Tramuta in lazzilo spasmo ed il pianto,in una smorfia il singhiozzoe il dolor. Ah! Ridi Pagliaccio,sul tuo amore infranto.Ridi del duolche t'avvelena il cor!
Recitar,enquanto tomado pelo delírio não sei mais aquilo que digo e aquilo que faço. Todavia é necessário. Esforça-te! Vai!És tu talvez um homem?Ah! ah! ah! ah! ah!Tu és Palhaço.Veste o casaco e a cara enfarinha. O povo paga e quer rir aqui. E se Arlequim te rouba a Colombina, ria, Palhaço ,e todos aplaudirão.Transforma em piadas o espasmo e o choro,numa careta o soluço e a dor. Ah! Ria Palhaço,sobre o teu amor despedaçado!Ria da dor que te envenena o coração!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Brumas
As Brumas dolentes fulguram rosáceas...
E os polens das áureas orquídeas, tão flébeis...
Sussurram gemidos, tão roucos e débeis
Roubando os meus sonhos à luz das acácias...
As pálidas Brumas, oh, plúmbeas neblinas...!
Tão lânguidas, leves, elevam-se aladas...
As Brumas malditas, de alvor nacaradas
Ocultam as Luzes das aras divinas...
Turíbulos níveos, essências ardentes...
Incensos sangrentos, fatídicos Hinos
Olhares angélicos, mornos, frementes...
Delícias supremas, Volúpias insanas...
São mãos fenecentes, fosfóreos velinos
São Névoas de Baco, pulsantes, profanas...!
E os polens das áureas orquídeas, tão flébeis...
Sussurram gemidos, tão roucos e débeis
Roubando os meus sonhos à luz das acácias...
As pálidas Brumas, oh, plúmbeas neblinas...!
Tão lânguidas, leves, elevam-se aladas...
As Brumas malditas, de alvor nacaradas
Ocultam as Luzes das aras divinas...
Turíbulos níveos, essências ardentes...
Incensos sangrentos, fatídicos Hinos
Olhares angélicos, mornos, frementes...
Delícias supremas, Volúpias insanas...
São mãos fenecentes, fosfóreos velinos
São Névoas de Baco, pulsantes, profanas...!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Recuerdos de la Alhambra (Já sei tocar a metade!)

Recuerdos de la Alhambra (Memórias de Alhambra) é uma peça para violão erudito do compositor e violonista espanhol Francisco Tárrega.
Um virtuoso em seu instrumento, Tárrega era conhecido como o "Sarasate do violão." Seu repertório incluia muitas compsições originais para o violão (Capricho Árabe, Danza Mora, et al.) assim como arranjos de obras escritas para outros instrumentos de compositores como Ludwig van Beethoven, Frédéric Chopin e Felix Mendelssohn. Da mesma forma que seu amigo Isaac Albéniz e muitos de seus contemporâneos espanhóis, Tárrega tinha interesse em combinar a tendência romântica prevalecente na música clássica com elementos do folclore espanhol, o que ele fez com Recuerdos de la Alhambra e suas transcrições para violão de várias das peças para piano de Albeniz (notavelmente Asturias (Leyenda)).
Recuerdos de la Alhambra compartilha o título com a tradução para a língua espanhola do livros de Washington Irving de 1832 "Tales of the Alhambra," escrito durante a estada de quatro anos na Espanha.
A peça pode ser ouvida na trilha sonora de Mike Oldfield para o filme Os Gritos do Silêncio e também no filme Sideways.
Um virtuoso em seu instrumento, Tárrega era conhecido como o "Sarasate do violão." Seu repertório incluia muitas compsições originais para o violão (Capricho Árabe, Danza Mora, et al.) assim como arranjos de obras escritas para outros instrumentos de compositores como Ludwig van Beethoven, Frédéric Chopin e Felix Mendelssohn. Da mesma forma que seu amigo Isaac Albéniz e muitos de seus contemporâneos espanhóis, Tárrega tinha interesse em combinar a tendência romântica prevalecente na música clássica com elementos do folclore espanhol, o que ele fez com Recuerdos de la Alhambra e suas transcrições para violão de várias das peças para piano de Albeniz (notavelmente Asturias (Leyenda)).
Recuerdos de la Alhambra compartilha o título com a tradução para a língua espanhola do livros de Washington Irving de 1832 "Tales of the Alhambra," escrito durante a estada de quatro anos na Espanha.
A peça pode ser ouvida na trilha sonora de Mike Oldfield para o filme Os Gritos do Silêncio e também no filme Sideways.
A peça utiliza uma técnica desafiadora do violão erudito conhecida como 'tremolo', em que uma única nota melódica é atacada repetidamente pelos dedos anular, mádio e indicador numa sucessão tão rápida que o resultado é uma ilusão de uma longa nota suspensa. Nessa peça, o polegar toca o baixo entre os ataques melódicos. A mudança de tonalidade para lá maior no meio da peça é tocada em um andamento mais rápido que o restante da peça. Muitas pessoas que ouvem uma gravação desta peça peça primeira vez podem achar que se trata de um duo em vez de um solo desafiador.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Recuerdos_de_la_Alhambra"
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Recuerdos_de_la_Alhambra"
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